Só vejo você

Mais um dia triste
Me pego outra vez pensando em você
Não dá pra inventar
O seu olhar me disse
Que ainda há tanta coisa pra se entender
Pra que controlar

Paz, é tudo que eu venho tentando encontrar
Mas, me vem a saudade fazendo lembrar

Tentei evitar
Tentei esquecer tudo o que me lembra você
Tentei não te amar
Mas olho no espelho e nada de me reconhecer
Só vejo você

Se bate um desespero
No mesmo instante o que eu quero é você
Pra me abraçar
Já não importa o tempo
Não tenho medo de me arrepender
Não vou controlar

Paz, é tudo que eu venho tentando encontrar
Mas, me vem a saudade fazendo lembrar

Tentei evitar
Tentei esquecer tudo que me lembra você
Tentei não te amar
Mas olho no espelho e nada de me reconhecer
Só vejo você em mim

Eu sei que mesmo que eu tente
Isso não vai passar

Tentei evitar
Tentei esquecer tudo que me lembra você
Tentei não te amar
Mas olho no espelho e nada de me reconhecer
Só vejo você

Tânia Mara

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Calma aí

Calma aí
Pera aí
Não espere tanto desse amor

Outra vez
Sem sentir
Corro para os braços que me largam

Na tristeza de sentir
Tanta solidão acompanhada por aí
De tanto amor pra dar
Não vou mais chorar
Não quero dizer mais nada de mal

Olha aqui
Meu amor
Não se esqueça nunca que eu tentei

Sem rancor
Sem mentir
Sempre fiz aquilo tudo que te prometi

Meu amor
Foi tanto amor
Que eu quis que fosse eterno até morrer
Mas sei que foi enquanto em mim durou

Talvez nós dois
Sejamos um
É fato que se consolidará
Num novo amor
O nosso amor, amor

Monique Kessous

TIRE-O DA CABEÇA

Você estava apaixonado por alguém e levou um fora. Acontece mais do que acidente de avião, desastre com romeiros e incêndio na floresta. Corações partidos é o grande drama nacional. O que fazer? Ainda não lançaram um manual de auto-ajuda que consiga eliminar nossa fossa, e dos amigos só podemos esperar uma frase, repetida à exaustão: tire esse cara da cabeça. Parece fácil. Mas alguém aí me diga: como é que se tira alguém de um lugar tão cheio de mistérios?

Gostar de alguém é função do coração, mas esquecer, não. É tarefa da nossa cabecinha, que aliás é nossa em termos: tem alguma coisa lá dentro que age por conta própria, sem dar satisfação. Quem dera um esforço de conscientização resolvesse o assunto: não gosto mais dele, não quero mais saber daquele prepotente, desapareça, um, dois e já!

Parece que funcionou. Você sai na rua para testar. Sim, você conseguiu: olhou vitrines, comeu um sorvete e folheou duas revistas sem derramar uma única lágrima. Até que começa a tocar uma música no rádio e desanda a maionese. Você não tirou coisa alguma da cabeça, ele ainda está lá, cantando baixinho pra você.

Táticas. Não ficar em casa relendo cartas e revendo fotos. Descole uma festa e produza-se para matar. Você bem que tenta, mas nada sai como o planejado. Os casais que se beijam ao seu lado são como socos no estômago. Você se sente uma retardada na pista de dança. Um carinha puxa papo com você e tudo o que ele diz é comparado com o que o seu ex diria, com o que o seu ex faria. Chamem o EccoSalva.

Livros. Um ótimo hábito, mas em vez de abstrair, você acha que tudo o que o escritor escreve é para você em particular, tudo tem semelhança com o que você está vivendo, mesmo que você esteja lendo sobre a erupção do Vesúvio que soterrou Pompéia.

Viajar. Quem vai na bagagem? Ele. Você fica olhando a paisagem pela janela do ônibus e só no que pensa é onde ele estará agora, sem notar que ele está ali mesmo, preso na sua mente.

Livrar-se de uma lembrança é um processo lento, impossível de programar. Ninguém consegue tirar alguém da cabeça na hora que quer, e às vezes a única solução é inverter o jogo: em vez de tentar não pensar na pessoa, esgotar a dor. Permitir-se recordar, chorar, ter saudade. Um dia a ferida cicatriza e você, de tão acostumada com ela, acaba por esquecê-la. Com fórceps é que a criatura não sai.

Martha Medeiros

Mulher solteira procura

Aos 18 anos, o escritor Caio Fernando Abreu escreveu o conto O Príncipe Sapo, que foi publicado na época pela revista Cláudia, e que hoje pode ser lido no seu Ovelhas Negras. É a história de uma mulher que tem 11 irmãs. Todas casam, menos ela. Em 1966, quando Caio escreveu est sensível parábola, o preconceito contra a solteirona era muito forte. Hoje, mais de 30 anos depois, também é.

Olhem bem para aquela garota sentada num bar, moderníssima. Ela quer casar. Mire nos olhos da balconista que acabou de atender você. Também quer. A aeromoça, idem. Sua prima, então, não vê a hora. Sim, elas são independentes, viajam, levam camisinha na bolsa, vão ao teatro, e lêem Camille Paglia. Mas querem casar, pomba!

Não adianta remar contra a maré. Desde que nascemos, fica combinado assim: cresça, estude e case. Depois faça o que bem entender da sua vida. Tudo te empurra para o altar, a começar pelos desenhos animados. Branca de Neve, Cinderela, até o Mogli encontra sua cara-metade. Festa de São João termina em casamento na roça. Desfile de moda termina com vestido de noiva. Novela termina diante do padre. O recado está dado: casou, cumpriu. Se vai ser feliz, são outros quinhentos.

Os homens também tem que seguir a mesma trajetória, mas a cobrança é menor. Não existe um relógio biológico apressando a paternidade e não há tanto preconceito se a solteirice estender-se um pouco além da conta. Símbolo de status, para os homens, é um carro importado, um terno feito sob medida e meia dúzia de cartões de crédito. Para as mulheres, nada disso parece valer grande coisa sem uma aliança no dedo.

Pois bem. Não casou aos 20, não casou aos 30, mas está a fim. O que fazer? Primeira providência: olhar-se no espelho demoradamente. O que você vê? Olhos castanhos, boca miúda, corpo razoável. Nenhuma obra-prima, mas nada que um batom e um decote não resolvam. Avaliação errada. O que os homens podem enxergar em você é um certo olhar de filhote abandonado, uma ansiedade à flor da pele, uma carência afetiva das boas. Olhe no espelho de novo. Por trás da maquiagem, pode haver uma mulher suplicando par que tomem conta dela. Cuidado, eles farejam no ar.

Solteirice indesejada rima com amargura, ironia, baixo astral. É assim que você quer arrasar corações? Homem nenhum quer responsabilizar-se por uma marmanja, ainda mais de mal com a vida. Assuma sua solidão, tire proveito dela, mostre ao mundo que você se basta, mesmo que não tenha certeza disso. Homens querem companheiras, não irmãs mais moças que necessitam de guarda-costas. Se você ficou solteira mais tempo do que desejava, comporte-se como casada, e terá todos os homens a seus pés.
Mulher casada não está nem aí para o estado civil dos outros homens. Mulher casada não avalia “partidos”: para ela, todos os homens são interessantes. Mulher casada não fica aflita para que peçam seu número. Mulher casada está pouco ligando para o que os outros pensam a seu respeito. Enfim, a mulher casada é infinitamente mais livre do que a solteira, pois já cumpriu o papel que a sociedade exigiu dela – casou! – e agora tem o resto da vida para ser ela mesma. Ninguém pode ser mais autêntica.

Vamos brincar de manual de auto-ajuda. Em primeiro lugar, aparente ser muito ocupada, mesmo que passe todas as noites comendo doritos em frente à tevê. Mantenha correspondência com alguém misterioso, nem que seja seu irmão que mora em Itapecerica da Serra. Tenha alguns segredos e dê a entender que sua vida sexual deixaria Madonna escandalizada. Entre nos lugares já de olho no relógio, como se estivessem esperando você no outro lado da cidade. Demonstre ser absolutamente indisponível. E volte correndo para casa: seu telefone já começou a tocar.

Martha Medeiros

O Homão

Alguns anos atrás, escrevi um texto chamado O Mulherão para o Dia Internacional da Mulher. Fez um razoável sucesso, tanto que até hoje esse texto é lido e publicado em diversos veículos de comunicação quando chega março.

Pois cá estamos, novamente, na vizinhança desta data comemorativa, e desta vez minha homenagem vai para o homão, aquele que não tem dia algum no calendário para valorizar seus esforços.

Homão é aquele que tem assistido a ascensão feminina nas empresas, na política, na arte, no esporte e tem achado tudo mais do que justo. Nunca li um artigo de um homem reclamando por as mulheres estarem dominando o mundo (não acredito que escrevi isso!). Ao contrário: os inteligentes (e todo homão é inteligente) estão tendo muito prazer em compartilhar seus gabinetes conosco e não choram pelos cantos caso tenham uma chefe mulher (homão chora, mas chora por amor, não por motivos toscos).

Homão gosta de mulher. Parece óbvio, mas há muitos homens (não homões) que só gostam de mulher para cama, mesa e banho. O homão gosta de mulher para cama, mesa, banho, escritório, livraria, cinema, restaurante, sala de parto, beira de praia, estrada, museu, palco, estádio. E, às vezes, pode nem gostar delas pra cama, mesa e banho, e ainda assim continuar um homão.

Homão é aquele que encara parque no final de semana, faz um jantar delicioso, dá conselho, pede conselho, trabalha até tarde da noite, compensa no outro dia buscando os filhos na escola, dirige o carro, em outras vezes é co-piloto, não acha ruim ela ganhar mais do que ele, não acha nada ruim quando ela propõe uma noitada das arábias, recebe amor, dá amor, é bom de contabilidade e sabe direitinho o que significa fifty-fifty.

Homão é aquele que compreende que TPM não é frescura e que reconhece que filhos geralmente sobrecarregam mais as mães do que os pais, então eles correm atrás do prejuízo, aliviando nossa carga com prazer. Homão acha um porre discutir a relação, mas discute. Homão não concorda com tudo o que a gente diz e faz, senão não seria um homão, e sim um panaca, mas escuta, argumenta e acrescenta idéias novas. Homão não fica dizendo que no tempo do pai dele é que era bom, o pai mandava e a mãe obedecia. Homão reconhece as vantagens de estar interagindo com seres do mesmo calibre e não depende de uma arma ou de um carro ultrapotente para provar que é um homão. O homão sabe que não há nada como ter uma grande mulher a seu lado.

Martha Medeiros

Por que as pessoas entram na sua vida?

Pessoas entram na sua vida por uma Razão, uma Estação ou uma Vida Inteira. Quando você percebe qual deles é, você vai saber o que fazer por cada pessoa.

Quando alguém está em sua vida por uma “Razão”… é, geralmente, para suprir uma necessidade que você demonstrou. Elas vêm para auxiliá-lo numa dificuldade, te fornecer orientação e apoio, ajudá-lo física, emocional ou espiritualmente. Elas poderão parecer como uma dádiva de Deus, e são! Elas estão lá pela razão que você precisa que eles estejam lá. Então, sem nenhuma atitude errada de sua parte, ou em uma hora inconveniente, esta pessoa vai dizer ou fazer alguma coisa para levar essa relação a um fim. Ás vezes, essas pessoas morrem. Ás vezes, eles simplesmente se vão. Ás vezes, eles agem e te forçam a tomar uma posição. O que devemos entender é que nossas necessidades foram atendidas, nossos desejos preenchidos e o trabalho delas, feito. As suas orações foram atendidas. E agora é tempo de ir.

Quando pessoas entram em nossas vidas por uma “Estação”, é porque chegou sua vez de dividir, crescer e aprender. Elas trazem para você a experiência da paz, ou fazem você rir. Elas poderão ensiná-lo algo que você nunca fez. Elas, geralmente, te dão uma quantidade enorme de prazer… Acredite! É real! Mas somente por uma “Estação”.

Relacionamentos de uma Vida Inteira te ensinam lições para a vida inteira: coisas que você deve construir para ter uma formação emocional sólida. Sua tarefa é aceitar a lição, amar a pessoa, e colocar o que você aprendeu em uso em todos os outros relacionamentos e áreas de sua vida.”

Martha Medeiros

Nem tudo é fácil

É difícil fazer alguém feliz, assim como é fácil fazer triste.

É dificil dizer eu te amo, assim como é fácil não dizer nada.

É difícil valorizar um amor, assim como é fácil perdê- lo para sempre.

É difícil agradecer pelo dia de hoje, assim como é fácil viver mais um dia.

É difícil enxergar o que a vida traz de bom, assim como é fácil fechar os olhos e atravessar a rua.

É difícil se convencer de que se é feliz, assim como é fácil achar que sempre falta algo.

É difícil fazer alguém sorrir, assim como é fácil fazer chorar.

É difícil colocar- se no lugar de alguém, assim como é fácil olhar para o próprio umbigo.

Se você errou, peça desculpas…

É difícil pedir perdão? Mas quem disse que é fácil ser perdoado?

Se alguém errou com você, perdoa- o…

É difícil perdoar? Mas quem disse que é fácil se arrepender?

Se você sente algo, diga…

É difícil se abrir? Mas quem disse que é fácil encontrar alguém que queira escutar?

Se alguém reclama de você, ouça…

É difícil ouvir certas coisas? Mas quem disse que é fácil ouvir você?

Se alguém te ama, ame- o…

É difícil entregar- se? Mas quem disse que é fácil ser feliz?

Nem tudo é fácil na vida… Mas, com certeza, nada é impossível.

Precisamos acreditar, ter fé e lutar para que não apenas sonhemos, mas tornemos todos esses desejos, realidade.

Desconheço o autor

Cuidar mais de mim

 

Eu vim falar do que eu perdi
Que eu já chorei, do que eu vivi
Porque eu amei, me entreguei
E quantas vezes eu sorri
Eu vim contar pro seu coração
Que eu já provei da desilusão
De um amor

Eu vim falar que eu também sofri
E quantas vezes me desesperei
Foi grande a dor que eu senti
E desde então eu me toquei
Que sem amor, sem ilusão
A minha vida é em vão
Isso é morrer

Eu sei que parte do que eu passei
Foi culpa minha porque eu deixei
Que outro alguém me dominasse assim
Sei que preciso cuidar mais de mim

Tá complicado esquecer teu sorriso
O sentimento, a paixão que ficou
Serão pra sempre os mesmos encantos
Mas no momento eu desejo outro amor

Paula Fernandes

Depois

 

Depois de sonhar tantos anos,
De fazer tantos planos
De um futuro pra nós
Depois de tantos desenganos,
Nós nos abandonamos como tantos casais
Quero que você seja feliz
Hei de ser feliz também

Depois de varar madrugada
Esperando por nada
De arrastar-me no chão
Em vão
Tu viraste-me as costas
Não me deu as respostas
Que eu preciso escutar
Quero que você seja melhor
Hei de ser melhor também

Nós dois
Já tivemos momentos
Mas passou nosso tempo
Não podemos negar
Foi bom
Nós fizemos histórias
Pra ficar na memória
E nos acompanhar
Quero que você viva sem mim
Eu vou conseguir também

Depois de aceitarmos os fatos
Vou trocar seus retratos pelos de um outro alguém
Meu bem
Vamos ter liberdade
Para amar à vontade
Sem trair mais ninguém
Quero que você seja feliz
Hei de ser feliz também
Depois

 

Marisa Monte